quinta-feira, 28 de abril de 2011

RECÉM-GRADUADO/RECÉM- DESEMPREGADO: As desventuras da educação superior no Brasil

..."O sonho acabou... quem não dormiu no sleeping bag nem sequer sonhou ..."                                                                                                                (Gilberto Gil)
                                                                                                              
Dizem que a educação formal é a resposta ao desejo de aprender, e aprender é uma opção para saber, ampliar a capacidade de conhecer e fazer.
Infelizmente, poucos de nossos jovens (e não somente no Brasil) escolhem o caminho das pedras do Campus Universitário tendo em mente a ampliação de seus conhecimentos em alguma área específica.
Parte do problema se deve à idade em que são obrigados a fazer essa opção. O nosso jovem entra na universidade com tenros 17, 18 anos.........como saberá o que quer fazer com o resto de sua vida?
Por outro lado, o nosso sistema educacional desde muito cedo direciona e separa, estreita e concentra as opções em um funil de especificidades, quando na verdade esse primeiro contato com a aquisição de conhecimentos para aprender o "fazer" deveria ser amplo e geral, como em alguns países da Europa e nos Estados Unidos.
Desse modo, a escolha feita pelo jovem nesses outros países acontece conforme ele/ela caminha dentro das diversas áreas do conhecimento e saber.
O pedagogo Sílvio Bock define o ato de escolher como "o posicionamento entre duas ou mais possibilidades igualmente atraentes". Levando isto em conta, é muito difícil escolher quando as opções são muitas e igualmente desejáveis.
E, ainda por cima, ultimamente, para a maioria dos jovens, o futuro tem forma de "X". O jovem aprende a escolher através de testes de múltipla escolha. Como então entrar em um universo de escolhas diferenciadas e de conteúdo mais denso? Pense e se coloque nesta posição: de uma hora para a outra o "tudo pronto e imediato" se torna "por fazer e demorado".
Nós, pais, estamos preparados para dar aos nossos filhos esse treino em escolhas e decisões ou estamos decidindo e escolhendo por eles, à medida em que facilitamos o seu cotidiano acreditando que o tempo da tomada de decisão, o arregaçar das mangas chegará eventualmente e sem maiores turbulências?
Sinceramente, não sei. Nunca sabemos. Acreditamos sempre o melhor possível está sendo feito. E é tudo que podemos fazer sem uma bola de cristal!
José Atílio Vanin, vice-diretor da FUVEST (organizador de um dos mais importantes vestibulares do país) aconselha que os jovens não devem desperdiçar o tempo estudando algo que "inventaram" que pode ser bom. Por exemplo, estudar espanhol por conta da instalação do Mercosul. Diz ainda que "os conhecimentos da humanidade se reciclam a cada 6 anos."
Continua Vanin dizendo que "por exemplo, os conhecimentos de informática de hoje serão obsoletos em 6 meses, e na medicina, os procedimentos diagnósticos e teurapêuticos que serão usados em 10 anos não foram ainda descobertos".
Como preparar o nosso jovem para que não seja um recém-formado/desempregado?
O desânimo nos ataca! Ñão sabemos.
O DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e estudos Sócio-Econômicos) afirma em sua última pesquisa de março de 2011 que o desemprego aumentou de 10.6% para 11,3%. Estão desempregados 1.202.000 pessoas, 70.000 a mais que no mês anterior. Estes dados foram colhidos na região metropolitana de SP. Não há dados específicos para o desemprego de jovens recém-formados.
Massss....... pelo número acima, se o número de desempregados aumentou, podemos deduzir que nossos filhos e filhas estão entre estes 70.000?
Aí começamos a pirar! Estamos num beco sem saída? Vamos recorrer ao eterno pessimismo, confortável colo da inércia? Se formos responder a essa pergunta, vai faltar tela de postagem.
Mas o negócio é o seguinte: recitar o sermão ao jovem bem intencionado que está fazendo sua parte não é solução. Segundo alguns psicólogos, a cobrança excessiva é improdutiva, estressa o jovem e corrompe sua auto-estima.
Para completar essa dolorosa experiência de buscar o primeiro emprego, o empregador, 99% do tempo exige experiência do candidato. Fora os insultos à que esse ultimo está exposto, por qualquer motivo ( mulher em vez de homem, muito branco, muito preto, bem vestido, mal vestido, e por aí afora). Esses fatos são resultado direto da discrepancia entre oferta e procura.
Alguns ainda acreditam que é melhor o jovem recém-formado conseguir um trabalho em alguma área ainda que não seja a escolhida em sua formação. O contato com o mercado de trabalho, propicia o aprendizado em cumprir horários, lidar com diferentes tipos de personalidade, lidar com um chefe, com a competitividade, além de ganhar um salário e aprender a administrá-lo. Todas essas experiências são altamente positivas e favorecem a formação do jovem  como trabalhador.  Paralelamente, ele/ela continuará a buscar e aumentar seus conhecimentos na área de escolha.
E quem sabe o que acontecerá? Iniciamos esse papo admitindo que os novos profissionais são muito jovens para escolher....Entre 100 jovens, apenas 5 estão absolutamente certos da escolha de suas carreiras. O resto têm uma vaga noção. São oferecidos hoje 129 cursos diferentes em 851 faculdades.
Quantos de nós começamos nossa caminhada profissional em alguma direção e nos vemos hoje em lugares totalmente diferentes de onde partimos? E que mal há nisso? É bom, ruim?
Enfim, pense bem: almejar grandes empregos em uma das companias top é como jogar na loteria. Hoje se denominam grandes companias aquelas que possuem mais de 1000 funcionários em sua folha de pagamento. Este número é igual a 7 milhões de pessoas, ou seja, MENOS de 10% da força de trabalho existente.
Se vale alguma coisa, colhemos alguns dados publicados na internete ou em papel, sobre o perfil da pessoa que consegue trabalho e enumeramos abaixo:
1. formação universitária numa faculdade considerada centro de excelência
2. criado num lar mais intelectualizado que a média
3. nunca foi reprovado(a)
4. fluente em pelo menos uma lingua estrangeira (inglês)
5. vivência no exterior na juventude
6. lê regurlamente, livros, revistas, publicações especializadads (traduzindo: está por dentro)
7. e infelizmente, "Não é apenas o que você sabe que conta, mas também quem você conhece"!
Moral da estória, gente grande: O importante é uma boa, ampla formação! Trabalhar, imediatamente após se formar não quer dizer que o emprego será necessáriamente na área escolhida. É mais importante fazer algo do que esperar no nada!
Vai que dá, moçada!

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